A travessia no lago em Marcos 4 começa comum, mas termina marcando os discípulos para sempre. Eles estavam acostumados com água, vento, barco. Muitos ali eram pescadores. Mesmo assim, a tempestade daquele dia ultrapassou a experiência deles. Foi o tipo de medo que desmonta qualquer preparo.
“E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra margem. E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia de água. E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos?”
Marcos 4:35-38
Enquanto os discípulos estavam apavorados, Jesus dormia.
À primeira vista, essa imagem pode gerar desconforto.
Mas ela revela que o silêncio de Deus não significa ausência. Às vezes, ele só não está reagindo do jeito que esperamos.
Os discípulos acordaram Jesus quase com desespero — “não te importas que pereçamos?” — e essa pergunta se repete diariamente, quando a vida parece sair do controle.
Só queremos dar ordens e dizer: Jesus se levanta, fala com o vento, fala com o mar, faz tudo se acalmar!
Mas o ponto não é a tempestade; é o olhar que muda depois dela. Jesus se levanta e faz, sim, o mar se acalmar, o cenário externo se aquieta rapidamente, mas a compreensão interna demora mais: eles começam a perceber quem estava com eles o tempo todo.
Mesmo sabendo que Jesus era capaz, eles estavam amedrontados. A fé não elimina o medo de imediato, mas nos lembra onde firmar o coração enquanto o medo acontece.
Na maioria dos nossos dias, isso é tudo que precisamos: lembrar que, mesmo quando parece que nada está sendo feito, há alguém no barco que não perde autoridade sobre o que nos assusta.
Mesmo quando tudo assusta, Jesus continua no controle.